sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Amanda Gorman, National Youth Poet Laureate (1998-)

A COLINA QUE SUBIMOS

Amanda Gorman


Quando chega o dia, nos perguntamos, onde haverá luz nesta sombra sem fim?

Tão grande a perda que carregamos.

Tão largo o mar que devemos cruzar.

Enfrentamos a força do monstro.

Aprendemos que o silêncio nem sempre significa paz e as regras e as noções do que é "justo" nem sempre significam justiça.

E, ainda assim, o dia amanhece antes que possamos perceber.

De alguma forma, nós fazemos isso.

De alguma forma, resistimos e testemunhamos uma nação que não está partida, mas apenas incompleta.

Nós, os herdeiros de um país e de uma época em que uma mulher negra e magricela, descendente de escravos e criada por uma mãe solteira, pode sonhar em se tornar presidente, e se descobre recitando para ele.

E, sim, estamos longe de sermos polidos, longe de sermos originais, mas isso não quer dizer que não estejamos nos esforçando para criar uma união perfeita.

Estamos nos esforçando para forjar nossa união com uma finalidade.

Para formar um país comprometido com todas as culturas, cores, personagens e condições do homem.

E, então, erguemos o olhar, não para aquilo que se interpõe entre nós, mas para o que está à nossa frente.

Diminuímos a separação por sabermos colocar o futuro em primeiro lugar, e para isso, devemos, antes de tudo, colocar nossas diferenças de lado.

Baixamos nossos braços para podermos estendê-los aos outros.

Não queremos mal a ninguém, mas, sim, a harmonia entre todos.

Deixem o mundo, senão, quem mais, dizer que isto é verdade.

Que enquanto sofríamos, nós crescíamos.

Que enquanto nos magoavam, sentíamos esperança.

Que mesmo cansados, nós tentávamos.

Estaremos sempre juntos e vitoriosos.

Não porque nunca mais teremos que enfrentar a derrota, mas porque nunca mais semearemos a discórdia.

A Bíblia nos diz que todos se sentarão sob sua própria videira e figueira, e ninguém os afligirá.

Se estamos aqui para aquilo que nos cabe viver, então a vitória não está na espada, mas em todas as pontes que construirmos.

Esta é a promessa da clareira, para subirmos a colina, se tivermos coragem.

Porque ser Americano é mais do que um orgulho que herdamos.

É o passado que carregamos conosco e o transformamos.

Vimos uma força que destruiria nossa nação, em vez de compartilhá-la.

Teria destruído nosso país, se tivessem subjugado a democracia.

E esse desastre quase aconteceu.

Mas, embora possam, por vezes, subjugar a democracia, ela nunca será permanentemente derrotada.

Nesta verdade, nesta fé, nós confiamos, pois enquanto mantivermos os olhos no futuro, a História continuará a nos seguir com o seu olhar.

Esta é a era da justa redenção.

Nós tememos no início.

Não nos sentíamos preparados para herdar um momento tão terrível.

Mas, dentro dele, encontramos a força para escrever um novo capítulo, que nos trouxesse esperança e risos.

Então, enquanto nos perguntávamos como iríamos vencer a catástrofe, agora dizemos, como a catástrofe haveria de nos vencer?

Não marcharemos de volta ao passado, mas para aquilo que virá:

Um país que está ferido, porém inteiro, que é benevolente, mas ousado, feroz e livre.

Não seremos desviados ou interrompidos pela intimidação, pois sabemos que, se a próxima geração herdar nossa inércia e omissão, isso será seu futuro.

Nossos erros se tornarão seus fardos.

Mas uma coisa é certa.

Se unirmos misericórdia e força, e força e direito, então, legaremos o amor como herança e isso mudará o direito de nascimento dos nossos filhos.

Assim, deixemos um país melhor do que aquele que herdamos.

A cada alento que ressoa em meu peito, tornaremos este mundo ferido em um mundo maravilhoso.

Nós nos levantaremos das colinas douradas do Oeste.

Nós nos levantaremos do Nordeste batido pelos ventos, onde nossos antepassados ​​lutaram sua primeira revolução.

Nós nos levantaremos das cidades à margem dos lagos nos estados do Meio Oeste.

Nós nos levantaremos do Sul escaldado pelo sol.

Nós iremos reconstruir, nos reconciliar e nos recuperar.

E em cada canto conhecido de nossa nação e em cada canto que chamamos de país, nosso povo diverso e belo, emergirá maltratado e esplêndido.

Quando chega o dia, saímos da sombra das chamas, sem medo.

O novo amanhecer se eleva no momento em que o libertamos.

Pois sempre haverá luz,

Se tivermos coragem para vê-la.

Se tivermos coragem para sermos essa luz.

 

Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta, no dia da posse de Joe Biden e Kamala Harris, em Washington, D.C., em 20 de janeiro de 2021.


THE HILL WE CLIMB

Amanda Gorman


When day comes, we ask ourselves, where can we find light in this never-ending shade?

The loss we carry.

A sea we must wade.

We braved the belly of the beast.

We’ve learned that quiet isn’t always peace, and the norms and notions of what “just” is isn’t always justice.

And yet the dawn is ours before we knew it.

Somehow we do it.

Somehow we weathered and witnessed a nation that isn’t broken, but simply unfinished.

We, the successors of a country and a time where a skinny black girl descended from slaves and raised by a single mother can dream of becoming president, only to find herself reciting for one.

And, yes, we are far from polished, far from pristine, but that doesn’t mean we are striving to form a union that is perfect.

We are striving to forge our union with purpose.

To compose a country committed to all cultures, colors, characters, and conditions of man.

And so we lift our gaze, not to what stands between us, but what stands before us.

We close the divide because we know to put our future first, we must first put our differences aside.

We lay down our arms so we can reach out our arms to one another.

We seek harm to none and harmony for all.

Let the globe, if nothing else, say this is true.

That even as we grieved, we grew.

That even as we hurt, we hoped.

That even as we tired, we tried.

That we’ll forever be tied together, victorious.

Not because we will never again know defeat, but because we will never again sow division.

Scripture tells us to envision that everyone shall sit under their own vine and fig tree, and no one shall make them afraid.

If we’re to live up to our own time, then victory won’t lie in the blade, but in all the bridges we’ve made.

That is the promise to glade, the hill we climb, if only we dare.

It’s because being American is more than a pride we inherit.

It’s the past we step into and how we repair it.

We’ve seen a force that would shatter our nation, rather than share it.

Would destroy our country if it meant delaying democracy.

And this effort very nearly succeeded.

But while democracy can be periodically delayed, it can never be permanently defeated.

In this truth, in this faith we trust, for while we have our eyes on the future, history has its eyes on us.

This is the era of just redemption.

We feared at its inception.

We did not feel prepared to be the heirs of such a terrifying hour.

But within it we found the power to author a new chapter, to offer hope and laughter to ourselves.

So, while once we asked, how could we possibly prevail over catastrophe, now we assert, how could catastrophe possibly prevail over us?

We will not march back to what was, but move to what shall be:

A country that is bruised but whole, benevolent but bold, fierce and free.

We will not be turned around or interrupted by intimidation because we know our inaction and inertia will be the inheritance of the next generation, become the future.

Our blunders become their burdens.

But one thing is certain.

If we merge mercy with might, and might with right, then love becomes our legacy and change our children’s birthright.

So let us leave behind a country better than the one we were left.

Every breath from my bronze-pounded chest, we will raise this wounded world into a wondrous one.

We will rise from the golden hills of the West.

We will rise from the windswept Northeast where our forefathers first realized revolution.

We will rise from the lake-rimmed cities of the Midwestern states.

We will rise from the sun-baked South.

We will rebuild, reconcile, and recover.

And every known nook of our nation and every corner called our country, our people diverse and beautiful, will emerge battered and beautiful.

When day comes, we step out of the shade of flame and unafraid.

The new dawn balloons as we free it.

For there is always light,

if only we’re brave enough to see it.

If only we’re brave enough to be it.


Amanda Gorman, 22, read her poem on Joe Biden and Kamala Harris' Inauguration Day, on January 20, 2021, at Capitol Hill, in Washington, D.C., USA